A entrevista acontece no pregão da Bolsa de Valores de Nova York em 20 de janeiro de 2026, onde Daniel Faría discute o estado atual dos ativos digitais, da inteligência artificial e a crescente convergência entre ambos os setores. Faría enfatiza que a volatilidade do mercado, incluindo a queda do Bitcoin abaixo de US$ 90.000 naquele dia, deve ser vista como parte do ciclo natural dos mercados de criptomoedas. Com mais de 14 anos de experiência na área, ele explica que movimentos de preços de curto prazo raramente o preocupam, a menos que sejam impulsionados por políticas governamentais que se oponham ativamente à adoção de criptomoedas. Em contrapartida, ele permanece confiante quando a liderança política e as instituições globais continuam a integrar as criptomoedas em suas agendas de longo prazo.
Faría destaca três fatores-chave que influenciaram a recente movimentação do preço do Bitcoin: comentários do presidente dos EUA relacionados a tarifas, saídas de capital de ETFs de Bitcoin e atividades de liquidação impulsionadas por grandes formadores de mercado, como Binance e Wintermute. Apesar dessas pressões, ele destaca o anúncio da MicroStrategy de uma compra de US$ 2 bilhões, equivalente a aproximadamente 22.000 bitcoins, como um forte sinal de confiança institucional. Essa movimentação, em sua opinião, reforça a perspectiva otimista de longo prazo para o Bitcoin e para criptomoedas alternativas que oferecem aplicações práticas.
A conversa então se volta para a inteligência artificial descentralizada. Faría explica que sua empresa, a Flora Growth, agora listada na NASDAQ, está se transformando em uma empresa de investimentos com forte foco em setores impulsionados por IA. Uma de suas principais funções é atuar como tesouraria da 0G (Zero Gravity), uma rede de IA descentralizada líder. Ele argumenta que os modelos de IA centralizados estão se tornando cada vez mais caros e restritivos, limitando o acesso para pequenas empresas e governos. Redes de IA descentralizadas como a 0G visam reduzir custos, contornar restrições geopolíticas e estender a vida útil de hardware existente, como GPUs Nvidia mais antigas.
Olhando para o futuro, Faría projeta um crescimento anual de 20 a 25% na IA descentralizada, impulsionado por novas aplicações em finanças, bancos, viagens, governo e segurança de dados. Ele destaca a soberania como uma importante tendência emergente, observando que os governos exigirão cada vez mais soluções de IA que mantenham dados sensíveis dentro das fronteiras nacionais. Como parte do rebranding da Flora, a empresa planeja investir capital em diversos setores impactados pela inteligência artificial, com o objetivo primordial de gerar valor para os acionistas a longo prazo.