Neste episódio do Leaders at the Bell, gravado na Bolsa de Valores de Nova York, Victor Rodriguez conversa com William Kelly, ex-CEO da CAIA e veterano do setor de investimentos alternativos, sobre por que a volatilidade voltou com força aos mercados globais e o que isso significa para os investidores em 2026. Kelly explica que a geopolítica, as oscilações das commodities, as taxas de juros mais altas e a queda na correlação entre os ativos criaram um ambiente muito mais fértil para a gestão ativa e a geração de alfa do que na década anterior, de taxas ultrabaixas e volatilidade suprimida.
Kelly argumenta que os fundos de hedge, muitas vezes considerados "mortos" durante anos de alta correlação e baixa dispersão, estão mais uma vez comprovando seu valor como ferramentas de diversificação e gestão de risco. Ao mesmo tempo, ele aborda as crescentes preocupações em torno de estratégias ilíquidas, como private equity e crédito privado, observando que os prêmios de iliquidez nem sempre são recompensados e que a seleção criteriosa de gestores e a due diligence são essenciais.
A conversa se expande para a construção de portfólios, desafiando interpretações rígidas do modelo tradicional 60/40. Kelly enfatiza a importância de ampliar o leque de oportunidades nos mercados públicos e privados, priorizando a diversificação em primeiro lugar e o alfa em segundo. Ele também destaca o segmento de pequenas e médias empresas como uma oportunidade atraente, porém complexa, quando gerenciada corretamente.
Em relação às carreiras, Kelly transmite uma mensagem voltada para o futuro aos jovens profissionais, especialmente na América Latina. Embora certificações como CAIA e CFA continuem importantes, ele ressalta que o "alfa na carreira" virá cada vez mais da compreensão da disrupção — inteligência artificial, ativos digitais, mercados de dados e inovação financeira — combinada com ética, educação e adaptabilidade.
Por fim, Kelly destaca a importância da independência do Federal Reserve, observando que a confiança do mercado, a estabilidade do dólar e a força econômica dos EUA a longo prazo dependem disso. Sua conclusão é clara: a incerteza cria oportunidades, e os investidores que diversificam de forma inteligente e se mantêm informados estarão em melhor posição para os próximos anos.